Aécio Neves apresentou nesta quarta-feira um
projeto de lei que transforma o Bolsa Família em um programa de Estado. Pela
proposta, o benefício, que tem sido a principal bandeira eleitoral do PT, se
torna permanente, ficando atrelado às políticas públicas de assistência social
e erradicação da pobreza no país – e, o que é mais importante, não ficará mais
à mercê das decisões do Executivo.
É uma jogada de mestre. Com um único projeto,
o senador mineiro dá segurança ao eleitor sobre a continuidade do programa,
tira de Dilma seu principal argumento eleitoral e, de quebra, destrói
antecipadamente a poderosa fábrica de boatos do PT. Graças à estratégia de
Aécio, os petistas acabam de acordar em um cenário eleitoral diferente, no qual
não é mais possível disseminar - como fizeram, incansavelmente, em 2006 e 2010
- a mentira de que os tucanos querem acabar com o Bolsa Família.
Independentemente do intrincado percurso
parlamentar que o projeto de Aécio deve seguir até sua votação, a simples
apresentação é uma vacina poderosa contra a boataria petista. E coloca Dilma
numa arapuca discursiva sem precedentes.
Se orientar sua base a votar a favor do
projeto de Aécio Neves, Dilma estará pactuando com a perda de seu mais
importante argumento eleitoral. Por outro lado, se orientar sua base a votar
contra, ou mesmo a protelar a votação, a presidente vai entregar a Aécio um
tesouro: o discurso de que ele quis eternizar o programa, mas Dilma o impediu.
Não é de hoje que venho elogiando a visão
estratégica e a capacidade de articulação política de Aécio Neves. Mas
confesso que, com essa, o mineiro voltou a me surpreender. Aécio está
dando uma aula do que é fazer oposição – coisa que o país não via há quase uma
década
Nariz Gelado
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