Dois secretários e até o vice-prefeito estariam
viabilizando seus nomes para a eleição de 2016, mesmo sabendo que
Lucimar Nascimento (PT) tentará a reeleição
A situação da prefeita de Valparaíso de Goiás, Lucimar Conceição
(PT), é tão delicada que nem mesmo seus subalternos lhe prestam o devido
respeito. Candidata natural à reeleição no pleito de 2016, a petista vê
dois secretários e até o vice-prefeito se lançarem pré-candidatos.
Com a popularidade no chão — pesquisas internas mostram que a
rejeição chega a surpreendentes 80% –, quase ninguém acredita na
recuperação da atual gestão. Nos bastidores, Elson Varejão (PMDB), o
vice-prefeito; Antônio Reis (PSB), secretário de Governo; e Walter
Mattos (PPL), secretário de Saúde, estariam trabalhando para serem o
nome da “situação” no próximo ano.
A verdade é que ninguém quer ser “situação” em Valparaíso. “Qualquer
um que for apoiado, ou mencionar que fez parte da gestão Lucimar está
fadado ao fracasso”, revelou um vereador.
Em entrevista ao Jornal Opção Online, tanto Antônio
Reis quando Walter Mattos juram de pés juntos que não serão candidatos.
Ambos declararam apoio público à reeleição da prefeita Lucimar, mas
deixam claro que há problemas na gestão — como em todos os municípios
brasileiros – a maioria resultado da “crise financeira do País”.
De acordo com o secretário de Governo, o nome dele “é citado pela
população” como possível candidato para a disputa de 2016, porém, o
grupo é quem vai tomar a decisão em conjunto. “Acreditamos que ela
[Lucimar] tem condições de se reeleger, mas isso será uma discussão
dentro do nosso grupo. O momento é de cada um tentar valorizar seu
conhecimento e sua aceitação popular”, defendeu Antônio Reis.
Já Walter Mattos — que estaria trabalhando para construir uma 3ª via —
deixou claro à reportagem que não tem interesse em ser candidato e que
está até pensando em “se aposentar”. “Dois mandatos como vereador,
quatro anos como secretário… Acho que já dei minha contribuição”,
desconversou. Para ele, o desgaste da atual gestão não é,
necessariamente, um desgaste pessoal da prefeita petista. “As críticas
que às vezes são feitas vêm pelo desgaste do ex-governador do Distrito
Federal [Agnelo Queiroz (PT), aliado e padrinho político de Lucimar, que
foi defenestrado do poder já no 1º turno] e pela crise que acaba
refletindo”, justificou Mattos.
O secretário exaltou feitos da gestão atual e afiançou o trabalho que
está sendo feito. “Os problemas não são só de Valparaíso, todas as
cidades têm. Ela [Luciamar] ajustou as contas, pegou uma prefeitura
arrasada, sem certidões negativas e uma dívida de 26 milhões. Resolveu
as pendências financeiras e é candidata natural à reeleição”, arrematou o
responsável pela Saúde.
Questionados sobre o sucesso eleitoral da ex-prefeita e arqui-inimiga
de Lucimar, a secretária estadual de Direitos Humanos, Lêda Borges
(PSDB), ambos os secretários minimizam o resultado. “Lêda teve os mesmos
votos que conseguiu em 2012, quando foi derrotada pela prefeita”,
lembra o secretário de Saúde.
Para ele, Lucimar Conceição é “a maior líder política” de Valparaíso
e, mesmo os candidatos a deputados estadual e federal, senador e
governador apoiados pela prefeita petista não terem sido os mais bem
votados na cidade, foi ela a responsável pelo sucesso da presidente
Dilma (PT).
Antônio Reis sustenta que a base da prefeita Lucimar lançou três
candidatos a deputado estadual e, por isso, não conseguiu eleger nenhum
deles. Mas sugeriu que, se somadas as votações, chegariam próximas as
que teve Lêda Borges — vitoriosa na cidade, com 22.670 votos (46% do
eleitorado).
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