As diversas leituras de uma pesquisa





Revista propagandeia reeleição de Dilma, mas uma debruçada nos números da pesquisa do Vox Populi mostram que não é bem assim.

Muito interessante a análise que a
revista Carta Capital, espécie de porta-voz informal do núcleo duro do PT, fez da pesquisa que ela própria havia encomendado ao Instituto Vox Populi. Análise, aliás, é uma expressão inadequada. A revista fez, a rigor, uma propaganda eleitoral pouco disfarçada em sua reportagem de capa, sob o emblemático título “Reeleição à vista”, dando a entender que o pleito marcado para outubro de 2014 já está praticamente decidido pela população brasileira a favor da petista Dilma Rousseff.
Curioso é que a mesma publicação não havia feito qualquer registro da espetacular queda de mais de 30 pontos percentuais na aprovação do governo e nas intenções de voto da presidente, registrada por vários institutos de pesquisa após as manifestações de junho. Pelo contrário, o PT mandou suspender a enquete que havia encomendado para o período ao mesmo Vox Populi – que serve ao PT e à Carta Capital, o que dá praticamente no mesmo.
A “análise” feita pela revista afirma que, num retrato de momento, Dilma seria reeleita no primeiro turno, com 38% dos votos, dois pontos percentuais a mais do que a soma dos adversários, o que provavelmente está dentro da margem de erro da pesquisa – que, aliás, sequer foi divulgada. Espertamente, a revista “se esquece” de destacar alguns importantes detalhes, como o de que 47% do eleitorado ainda não decidiram em quem votar.
A revista não destaca no texto, embora mostre em gráficos, os outros quatro cenários pesquisados. Desse modo, no cenário onde José Serra é o candidato tucano, em vez de Aécio Neves, haveria segundo turno, com Dilma quatro pontos (40% a 36%) abaixo da soma dos adversários. A desvantagem aumenta ainda mais no cenário em que é incluído o nome do presidente do STF, Joaquim Barbosa, e Aécio aparece como candidato do PSDB. Nesse caso, a diferença é de 43% a 36%. No terceiro cenário, que inclui Serra como candidato do PPS e mantém Aécio como candidato tucano, a diferença ainda é maior, de 45% a 36%. Ma, não fica aí. No quinto cenário, no qual aparecem como candidatos Dilma, Marina, Serra, Joaquim Barbosa, Aécio e Eduardo Campos, a diferença da soma dos adversários para a presidente cresce a 13 pontos percentuais, ficando em 48% a 35%.
Do mesmo modo, a matéria não destaca o fato de o governo da presidente Dilma, a despeito de toda a verba publicitária que gasta, ter apenas 35% de avaliação positiva, sendo que apenas 5% de ótimo e 30% de bom. Assim como mostra somente em gráfico, e não destaca no texto, que 88% dos brasileiros estão preocupados com a inflação. Não mostra, também, que a avaliação positiva do governo cai na medida em que aumenta o nível de escolaridade da população. Entre as pessoas de nível superior, por exemplo, sua aprovação fica nos 27%.

Uma última informação: a reportagem da Carta Capital foi escrita pelo sociólogo Marcos Coimbra, que vem a ser o dono e presidente do Instituto Vox Populi. Informação que, por sinal, a revista também omite.
Fonte: feijoadadapolitica.com

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