Celso de Mello: o ministro mais experiente do Supremo talvez até vote para admitir os embargos - mas, no julgamento deles, deverá ser tão severo quanto foi no exame da ação penal contra os mensaleiros
Há pessoas próximas
ao Supremo que acreditam que Celso de Mello — para muitos o ministro mais douto
da Corte, e de reconhecida e louvada independência – poderá admitir, por
razões de convicção jurídica e em nome do asseguramento de garantias
plenas do direito dos réus à defesa, a existência dos embargos infringentes e,
assim, fazer a balança se inclinar para o placar final de 6 a 5.
Mas que, no
julgamento propriamente dos embargos, será tão duro como foi ao apreciar a ação
penal proposta pelo Ministério Público, quando votou firmemente pela
condenação de todos os implicados no escândalo.
E teve, também,
palavras duríssimas para a tentativa de “golpe de Estado branco” promovida com
dinheiro público, tal como a qualificou o ex-presidente do STF Carlos Ayres
Britto.
O triste do
julgamento, até agora, foi constatar que, de certa forma, o aparelhamento do
Estado promovido escandalosamente pelo lulopetismo há quase 11 anos chegou,
sim, ao Supremo Tribunal Federal.
O julgamento dos
mensaleiros durou tanto, e com tanta cooperação de ministros subservientes ao
Planalto, que, como lembrou o Reinaldo Azevedo, deu tempo de que fossem
aposentados, por atingirem 70 anos de idade, ministros independentes,
substituídos por ministros que não merecem levar esse adjetivo, e que se
juntaram, em uníssono, aos magistrados proteladores.
A condenação final
dos mensaleiros reforçará a confiança dos brasileiros na Justiça — mas este
detalhe importante não poderá ser esquecido.

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