Investigações sobre desvios de
dinheiro do Tesouro já superam operações contra tráfico de drogas, afirma
diretor-geral da corporação
Chega a R$ 1 bilhão o volume de recursos que a Polícia Federal suspeita
ter sido desviado do Tesouro por meio de fraudes, corrupção, licitações
dirigidas, convênios fictícios e compras superfaturadas de administrações
municipais, autarquias e repartições estaduais em todo o País. Pela primeira
vez na história, segundo o comando da corporação, as investigações de crimes do
colarinho branco suplantaram as ações contra o tráfico de drogas e o
contrabando.
Entre janeiro e agosto deste ano, a caça aos malfeitos com verbas
públicas foi responsável por 20,7% do total de missões desencadeadas pela PF
nos Estados e em Brasília - os dados não abrangem falcatruas na Previdência.
Ações contra o narcotráfico somam 16,9% dos casos.
No início da semana passada, foram presos 8 alvos da Operação Pronto
Emprego, que investiga desvio de R$ 18 milhões de convênio do Ministério do
Trabalho. "Temos hoje R$ 1 bilhão sob investigação, 28 operações especiais
de combate a desvios de recursos do Tesouro apenas este ano. Podemos afirmar
que, em 2013, inúmeras organizações criminosas foram desarticuladas pela
PF", diz o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Leandro Daiello
Coimbra.
As 28 operações deflagradas pela PF em 2013 levaram à cadeia 218
acusados de causar prejuízos aos cofres públicos.
Positivo. "A PF tem priorizado a atividade de combate à corrupção e ao desvio
de recursos públicos", afirma Coimbra, segundo quem a corporação tem
atuado em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de
Contas da União (TCU). Os relatórios técnicos e auditorias desses dois órgãos
são usados para fortalecer as provas nas investigações.
O avanço dessas ações policiais consta do histórico do departamento. Em
2011, elas representavam 15,3% do total dos casos. Um ano depois, chegaram a
16,1%. O combate ao tráfico de drogas, que vinha sempre no topo das ações da PF
- 24,9% das missões em 2011 e 27% em 2012 - caiu em 2013 para aquém dos 20%.
Ainda assim registrou mais prisões (284) que os inquéritos envolvendo
corrupção.
Coimbra, chamado ao comando da PF no início do governo da presidente
Dilma Rousseff, diz que essa inversão não significa a diminuição da atuação no
combate às drogas. "Isso é uma rotina natural para a PF", diz.
O número de operações, diz ele, vem crescendo desde 2008, quando a
instituição realizou 217. Em 2012, os dados mostram que elas somaram 292 em
todos os 26 Estados e no DF.
Além de ultrapassar os casos de tráfico, a corrupção deixou para trás
também outra tradicional área de atuação dos federais, os crimes fazendários.
Em 2012, eles responderam por 21% das operações no País (62 casos). Até agosto
deste ano, somavam 13,8% das ações e haviam provocado a prisão de servidores.
Ao todo, 29 foram presos por suspeita de corrupção.
São Paulo concentrou o maior número de operações nos oito primeiro meses
do ano - 19 de janeiro a agosto. O Rio Grande do Sul, com 10 casos, ficou em
segundo. Minas (8 operações) está em terceiro lugar.
Para a cúpula da PF, os números reforçam a capacidade de investigar da
corporação. Os delegados federais estiveram entre os maiores defensores da
proposta de emenda constitucional que limitava a ação dos Ministérios Públicos,
a PEC 37, derrotada no Congresso após as manifestações de junho.
Fonte: Fausto Macedo e Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo
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