Os ministros Marco
Aurélio Mello e Luís Roberto Barroso divergiram nesta quinta-feira (12), em
sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) que analisa se a Corte deve ou não
aceitar os embargos infringentes, recursos que podem reabrir o julgamento de 12
réus condenados no mensalão.
Enquanto Marco Aurélio votava e citava a pressão que os
ministros têm sofrido da mídia e da opinião pública, Barroso pediu a palavra
para comentar o voto do colega.
"Não estou
almejando ser manchete favorável. Sou um juiz constitucional, me pauto pelo que
acho certo ou correto. O que vai sair no jornal no dia seguinte, não me
preocupa". "Eu cumpro o meu dever. Se a decisão for contra a opinião
pública é porque este é o papel de uma Corte constitucional", declarou o ministro.
Segundo Barroso, a "opinião pública é muito importante numa
democracia", mas não deve pautar os votos dos ministros. "A multidão
quer o fim deste julgamento. E devo dizer que eu também. Mas nós não julgamos
para a multidão. Nós julgamos pessoas. Eu não estou aqui subordinado à
multidão, estou subordinado à Constituição", declarou.
Marco Aurélio
respondeu, dizendo que o "novato" crítica o grupo. "Vejo que é
um novato: parte para a crítica ao próprio colegiado", afirmou para
Barroso. Em seguida, Marco Aurélio criticou Barroso porque o colega fez elogios
ao réu José Genoino, ex-presidente do PT e um dos condenados no julgamento,
durante uma sessão que julgou embargos declaratórios do réu. "Vossa
excelência elogiou um dos acusados, devo admitir."
Aurélio disse ainda que "se eu tiver que ir para o paredão com
meu voto, vou para o paredão".
Barroso treplicou e disse que veio ao STF "para somar,
compartilhar ideias" e pediu desculpas caso algum colega tenha se sentido
criticado.
Fonte: Roberto
Jayme/UOL
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